Agricultura no Brasil: evolução e estratégias adotadas

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18/04/2018
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Agricultura no Brasil: evolução e estratégias adotadas

A agricultura tem seus primórdios na era pré-histórica, o que possibilitou aos homens deixarem de ser meramente caçadores nômades para fundarem povoados e cidades, e obterem alimentos através do cultivo da terra. Mais adiante, com as grandes revoluções e grande aumento de pessoas no planeta, a agricultura passou a ter um papel fundamental: alimentar o mundo. No Brasil não é diferente, e hoje em dia, além da tarefa de fornecer produtos para a população mundial, a agricultura no Brasil tem grande importância econômica, social e ambiental.

Evolução da agricultura

A agricultura tem sua origem na pré-história, quando o homem percebeu que poderia se alimentar de cereais e cultivá-los. Na época, a chamada Revolução Neolítica permitiu ao homem cultivar alimentos em um lugar fixo e deixar de lado sua característica nômade de caçador-coletor. O resultado foi a fundação dos primeiros povoados e futuramente cidades.

Com a crescente população e estabelecimentos de vilas, o homem passou a observar as plantas, aprendendo seu cultivo e domesticando as mesmas. Com isso, a quantidade de povoados fixos aumenta e novas técnicas agrícolas passam a ser constantemente desenvolvidas.

Muitas destas práticas foram sendo aprimoradas, o que resultou na introdução de novas culturas, ampliação do tamanho de propriedades, técnicas de conservação de solos, entre outras medidas que resultaram na produção de alimentos em excesso, sustentando o crescimento populacional das cidades.

Já na era moderna, com origem na Europa e amparada pela agricultura que gerava capital e alimentos, a revolução industrial trouxe grandes mudanças do ponto de vista produtivo e comercial. Liderada pelos setores têxtil e metalúrgico, com incentivos de diversos países e abertura de mercados, consolidou-se o sistema capitalista, onde a mecanização da produção transformou a produção artesã na produção mecanizada de artefatos industriais.

Crescimentos populacionais e pressão na agricultura

A crescente disponibilidade de alimentos, melhorias na habitação e saneamento, aumento da condição econômica da população, possibilitou o aumento da natalidade e expectativa de vida. O resultado seria um crescimento muito acelerado da população, o que levantou questionamentos.

Dono da teoria populacional malthusiana, ainda no século 18, Tomas Malthus já alertava sobre o crescimento muito acelerado da população em relação ao crescimento da produção de alimentos, o que levaria ao controle populacional pela fome no futuro. Desde então, surgiram outras teorias que ressaltam o descontrole populacional e controle populacional ocorrido pela falta de alimentos.

Em resposta, já no século passado, vivenciamos a chamada Revolução Verde liderada pelos EUA e Europa. O movimento basicamente expandiu técnicas como o uso intensivo de insumos industriais, mecanização agrícola e redução do custo de manejo. Entre eles, o avanço da biotecnologia, desenvolvimentos de novos defensivos, fertilizantes, máquinas, técnicas de plantio, colheita, irrigação e gerenciamento da produção formaram a base do grande aumento da produção de produtos homogêneos – commodities­ – com baixos custos de produção.

O resultado foi um grande salto na produção agrícola mundial, o que trouxe grande desenvolvimento econômico em diversas regiões, principalmente na Ásia e África, e que tirou milhares de pessoas da miséria e fome, e sustentou um enorme desenvolvimento econômico majoritariamente oriental.

 Estratégias históricas da agricultura no Brasil

Desde o descobrimento do Brasil, a agricultura brasileira se desenvolveu de maneira notável, passando por algumas fases que resultam na agricultura moderna e referência mundial que é hoje.

Primeiramente, a agricultura brasileira passa por um período em que seu papel é sustentar o desenvolvimento das cidades e auxiliar no equilíbrio da balança comercial. Exemplos disso são os grandes ciclos agrícolas, cada uma em uma época, que figuraram no Brasil: cana-de-açúcar, mineração, pecuária, borracha, café etc. Muitos deles presentes no sudeste e sul do país, acompanhado pelo desenvolvimento urbano e econômico das regiões.

Análoga à revolução verde lá de fora, a revolução dos cerrados, encabeçada pela agência de pesquisa Embrapa, difundiu técnicas de manejo e novas tecnologias que permitiriam a exploração do cerrado brasileiro, com a entrada de máquinas, correção do pH dos solos, novos cultivares adaptados às características edafoclimáticas da região, entre outros.

A percepção de que era possível lucrar com a agricultura no cerrado brasileiro trouxe uma série de novos investimentos e o resultado foi a expansão de novas fronteiras agrícolas na direção centro-norte, provocando incremento significativo da produtividade de recursos (área, trabalhadores, máquinas, etc) advindo da adoção tecnológica e consolidação do Brasil no cenário mundial do agronegócio.

Desenvolvimento da agricultura “tradicional”

Com traços dos últimos séculos, a agricultura passou a escalar cada vez mais, principalmente com a mecanização e automação da mão de obra, desenvolvimento de novas pesquisas e consequente lançamento de tecnologias (fruto da revolução verde). A estratégia de expansão da produção por meio da abertura de novas áreas, historicamente menos custosas até então, torna-se cada vez menos atrativa e atrai cada vez mais o holofote das sociedades mais desenvolvidas.

Neste cenário, a produtividade da área, fator de produção que, historicamente, imobiliza grande parte do capital investido na atividade torna-se fator chave e preponderante para o sucesso econômico no setor. O resultado da expansão da área (ainda que em menor proporção) e aumento da produtividade foi uma superprodução de commodities, o que favoreceu a elevação da oferta global de alimentos. O aumento da oferta de alimentos resulta na queda dos preços pagos ao produtor que, por sua vez, contribui ainda mais para constantes adoções de tecnologias e minimização de custos.

Ao passo que a agricultura se desenvolve, outros setores também consolidam-se economicamente, o que gera um aumento do poder aquisitivo da crescente população. A população, principalmente em economias com maior poder de compra, muda também seus hábitos alimentares e passa a buscar alimentos processados ou com maior valor biológico, que demandam cada vez mais empenho de recursos no campo. A agricultura prova-se qualificada a alimentar toda a população mundial, ainda que os mais de 1/3 de desperdício de alimentos (pelos consumidores e ao longo da cadeia produtiva) e as más distribuições de alimentos culminem em desnutrição para certas camadas sociais menos favorecidas.

Com o avanço da agricultura, a balança comercial do Brasil que já era sustentada pelo setor, apresenta quase metade das suas exportações advinda do campo em 2016. O agronegócio passa a compor quase um quarto do produto interno bruto (PIB) nacional, favorecendo mais ainda a geração de empregos e o desenvolvimento econômico.